{"id":397,"date":"2019-05-30T20:20:21","date_gmt":"2019-05-30T23:20:21","guid":{"rendered":"http:\/\/osniribeiro.com.br\/?page_id=397"},"modified":"2019-10-23T11:07:58","modified_gmt":"2019-10-23T14:07:58","slug":"resenhas","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/osniribeiro.com.br\/?page_id=397","title":{"rendered":"resenhas"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Em 2010, numa apresenta\u00e7\u00e3o, o cantautor Renato Teixeira reclamou da falta de continuidade, entre os jovens, da sua proposta de inserir elementos da chamada m\u00fasica caipira dentro da MPB. Disse que j\u00e1 havia feito a sua parte e esperava novas contribui\u00e7\u00f5es. De fato, Renato Teixeira trouxe elementos do mundo rural do Sudeste, que sempre fora tratado com um certo preconceito, dada a deprecia\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-hist\u00f3rica impingida ao caipira durante os anos de \u00eaxodo. Renato enobreceu a m\u00fasica brasileira ao ampli\u00e1-la a partir da fus\u00e3o de segmentos que antes n\u00e3o haviam se encontrado. O pedido do Renato Teixeira foi ouvido. Com uma longa estrada musical percorrida, uma vis\u00e3o ampla constru\u00edda sobre Cultura no per\u00edodo em que atuou na gest\u00e3o da cultura em Botucatu, um toque de viola refinado e muito pessoal, Osni Ribeiro nos apresenta Arredores, um disco recheado de belas can\u00e7\u00f5es que tratam do cotidiano exaltando valores humanos como a verdade, a alegria e a coragem. Indaga sobre as express\u00f5es art\u00edsticas espont\u00e2neas do cotidiano&#8230; \u201cdeve haver uma viola que ponteie \/ numa cidade interior \/ o cora\u00e7\u00e3o de um cantador\u201d e traz em belos arranjos a raiz caipira nas narrativas de romances, na exalta\u00e7\u00e3o \u00e0 figura do Boi e na releitura de \u00edcones da m\u00fasica sertaneja como Raul Torres, Angelino de Oliveira e Serrinha. N\u00e3o deixa de lado a sonoridade nordestina na melodia do Boi. Um disco inspirado, enraizado por trazer no bojo das can\u00e7\u00f5es a sonoridade j\u00e1 transmutada do universo caipira e contempor\u00e2neo por atualizar a import\u00e2ncia do cantar e do tocar no cotidiano externo e interno das pessoas. Enfim, um belo disco para encher nossos ouvidos e transbordar os nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/p><p><br><strong>Ivan Vilela<\/strong><br>m\u00fasico, pesquisador e professor de Hist\u00f3ria da MPB e Viola na Universidade de S\u00e3o Paulo<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O Osni Ribeiro \u00e9 a S\u00e3o Paulo profunda, a S\u00e3o Paulo das serras de Botucatu. A m\u00fasica do vento, dos rios, o canto dos p\u00e1ssaros e seus dons e seus tons geniais. Terra do Jeca de Angelino, de Raul Torres, Tonico, Tinoco, Serrinha. Fus\u00e3o de \u00edndios e negros e portuguesas &#8211; e d\u00e1-lhe cateret\u00ea, catira, ponteado e rasqueado. Por aqui, pela terra vermelha, de alguma maneira todos nascemos naquela serra e carregamos a sua m\u00fasica fecunda.<\/p><p><br><strong>Bernardo Pellegrini<\/strong><br> compositor, m\u00fasico e jornalista.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O violeiro botucatuense Osni Ribeiro acaba de lan\u00e7ar Arredores, seu terceiro disco-solo.&nbsp;Nas asas da viola caipira, o m\u00fasico canta tem\u00e1ticas que ainda habitam o inconsciente coletivo do interiorano, entre elas o luar, o amor, a religiosidade, a natureza e a boa e velha prosa.&nbsp;<br> Embora beba na fonte, a obra vai al\u00e9m do lamento sertanejo, muito comum no cancioneiro caipira. Exemplo disso \u00e9 Arredores, a otimista faixa-t\u00edtulo do \u00e1lbum, que versa sobre a sensa\u00e7\u00e3o de mudar hist\u00f3rias que fazem o mundo.<br> \u201cEu sonho, espero, eu posso, eu quero\u201d, brada o caipira empoderado \u00e0s voltas com reflex\u00f5es existenciais. \u201c\u00c9 s\u00f3 buscar ao redor, coisas que a gente s\u00f3 encontra no fundo dos olhos de algu\u00e9m que confia\u201d, arremata o botucatuense entre percuss\u00f5es e ponteados de viola. &nbsp;<br> O instrumento, ali\u00e1s, \u00e9 celebrado em Viola Santa. A rever\u00eancia ao pinho sagrado fica evidente nos versos \u201c\u00e9 o som desta viola que silencia este meu cantar\u201d. Diante da beleza do fraseado dessa mo\u00e7a, o cantador prefere s\u00f3 ouvir.<\/p><p><br> <strong>Fl\u00e1vio Mantovani<\/strong><br> compositor, m\u00fasico e jornalista do portal &#8220;Fora de Pauta&#8221; &#8211; cultura &amp; jornalismo.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>O grande m\u00e9rito de \u201cArredores\u201d&nbsp; \u00e9 conseguir alcan\u00e7ar uma identidade forte, mesmo apresentando uma rica variedade de ritmos, g\u00eaneros e abordagens. D\u00e1 pra perceber que cabe muita coisa no embornal do violeiro. E que tudo que est\u00e1 l\u00e1 lhe pertence. O que \u00e9 da sua ess\u00eancia n\u00e3o lhe pesa carregar, das ricas tradi\u00e7\u00f5es caipiras \u00e0s trovas de novos tempos.<br> Ouvi o disco do come\u00e7o ao fim, curtindo cada faixa, como numa viagem por uma estrada cheia de paisagens bonitas. Viagem que termina, quase querendo n\u00e3o terminar, em \u201cCidades\u201d, can\u00e7\u00e3o que sugere que o pensamento n\u00e3o pare por a\u00ed. Afinal, paix\u00f5es podem ir t\u00e3o longe quanto nuvens vagando sobre cidades ou plan\u00edcies florescidas. E h\u00e1 muita paix\u00e3o e muito cora\u00e7\u00e3o nessa cole\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es. H\u00e1 ainda um tanto de sonho, toques de viola, alegrias, tristezas, saudade, natureza, amor, esperan\u00e7a, amizade e promessas de bons caminhos. Uma obra de um artista que observa a vida, no que ela pode ter de imperfeita, bonita, comum, especial, finita, profunda, radiante. E ao transformar suas observa\u00e7\u00f5es em can\u00e7\u00f5es nos provoca uma variedade de emo\u00e7\u00f5es e sentimentos.<\/p><p><br> <strong>S\u00e9rgio Santa Rosa<\/strong><br> jornalista, escritor, cr\u00edtico musical e pesquisador de cultura popular<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>A afina\u00e7\u00e3o das 10 cordas do botucatuense Osni Ribeiro conversa com a mem\u00f3ria afetiva do compositor e o universo caipira contempor\u00e2neo. \u00c9 assim que o violeiro nos apresenta o lan\u00e7amento de &#8220;Arredores&#8221;, trabalho com 15 faixas, das quais quatro s\u00e3o instrumentais.<br> Apreciador dos ponteios, Osni mistura composi\u00e7\u00f5es antigas, consolidadas no cancioneiro de raiz, com trejeitos atuais em seu jeito de tocar. Na vis\u00e3o de Osni, os arredores cantam o cotidiano urbano e rural, de aproxima\u00e7\u00e3o e mergulho de viv\u00eancias. As can\u00e7\u00f5es s\u00e3o para transbordar em sonoridades que, infelizmente, n\u00e3o ser\u00e3o sintonizadas em r\u00e1dios, digamos, comerciais.<br> Urbano de conviv\u00eancia, buc\u00f3lico de sensibilidade, o disco de Osni&nbsp;acessa, naturalmente, cen\u00e1rios de antigas vilas, casas de alpendre, varandas e quintais, correla\u00e7\u00e3o de sua trajet\u00f3ria que est\u00e1, naturalmente, identific\u00e1vel no DNA de \u201cArredores&#8221;.<br> <br> <strong>Nelson Itaber\u00e1&nbsp;<\/strong><br> compositor, apresentador e jornalista do Jornal da Cidade, da R\u00e1dio TV C\u00e2mara de Bauru.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>Osni Ribeiro sabe muito bem como extrair das dez cordas todas as sonoridades que a viola caipira guarda em seu bojo, como conv\u00e9m a um m\u00fasico que tamb\u00e9m nasceu naquela serra em cujos p\u00e9s encontram-se as cidades natais e os ranchinhos beira-ch\u00e3o onde viveram mestres como Angelino, Torres, Serrinha e Carreirinho. \u00c9 tamb\u00e9m poeta da melhor cepa, talento e sensibilidade que leva para as composi\u00e7\u00f5es. Apenas estes atributos, isoladamente, j\u00e1 valem audi\u00e7\u00f5es sem medidas do Arredores, mas Ribeiro aprecia se acercar de colegas igualmente talentosos, parte da turma com a qual convive, cai na estrada e cria. Enriquece ainda mais o disco com diversas participa\u00e7\u00f5es especiais \u2013 apresentando como novidade a estreia do paulista de Irapuru, J\u00falio Santin, como int\u00e9rprete, mais conhecido pelos dons de violeiro do que pela intimidade da voz com o microfone. Al\u00e9m de Santin, encontram-se nos cr\u00e9ditos m\u00fasicos como Cl\u00e1udio Lacerda, Jaime Alem, Toninho Porto, Jos\u00e9 Staneck, o barbatuque Marcelo Pretto e Toninho Ferragutti. O \u00e1lbum ainda faz refer\u00eancia aos luthiers, \u201cpais\u201d das violas utilizadas por Ribeiro: Dimathus, Jo\u00e3o Luthier,  Kleber Silveira, Verg\u00edlio Lima, Viola Ramos e o onipresente Levi Ramiro.<\/p><p><br> <strong>Marcelino Dias<\/strong><br> jornalista e cr\u00edtico musical do blog Barulho D&#8217;agua.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cArredores\u201d \u00e9 o terceiro disco do Osni Ribeiro, marcando seu retorno ao oficio de compor e cantar, depois de algum tempo atuando como Secret\u00e1rio da Cultura de sua cidade, per\u00edodo que deve ter lhe servido para aprofundar, por dever do oficio, seus conhecimentos sobre o rico patrim\u00f4nio que a simplicidade da cidade n\u00e3o oculta na singeleza de suas ruas. No disco, igualmente podem ser pressentidas a transforma\u00e7\u00e3o nas \u00faltimas d\u00e9cadas de um Brasil ent\u00e3o predominantemente rural em maioria urbana. Embora as refer\u00eancias tradicionais sejam marcantes, h\u00e1 mistura de ritmos e arranjos e a presen\u00e7a de um grande time de m\u00fasicos \u2013 Antonio Porto, Marco Bosco, Steve Negr\u00e3o, Tico Villela, Jo\u00e3o Lucas, Guilherme Chiapetta, Toninho Ferraguti, &nbsp;Jos\u00e9 Staneck, Jo\u00e3ozinho Barroso, &nbsp;Rafael Gandolfo, Z\u00e9 Cl\u00e1udio Lino, Fabius, Jaime Al\u00e9m, Claudio Lacerda, Marcelo Pretto, Julio Santin.&nbsp;<br> Lembrando o texto no encarte, por Ivan Villela, \u201ca sonoridade de Osni vem atualizar a import\u00e2ncia do cantar e tocar no cotidiano das pessoas\u201d. Ou seja, n\u00e3o importa onde estejamos, o que importa s\u00e3o os valores que carregamos conosco, que est\u00e3o em nossa g\u00eanese.&nbsp;<br> \u201cArredores\u201d, o pr\u00f3prio sugere, lembra que o caipira j\u00e1 n\u00e3o vive mais na solid\u00e3o ignota de sua casinha na beira ou do meio da mata: o caipira de hoje mira e conhece e busca conectar-se aos \u201carredores, sejam os pr\u00f3ximos \u00e0 sua moradia ou os \u201carredores do mundo\u201d, dado o encurtamento de dist\u00e2ncias.&nbsp; Embora o destino universal das comunidades seja o gradual afastamento \u2013 r\u00e1pido ou gradual, contudo, inexor\u00e1vel &#8211; dos campos e da natureza id\u00edlica rumo \u00e0s cidades, os valores que permeiam a vida e nos guiam nas rotas desconhecidas, permanecem inalterados: a fraternidade, o amor, o respeito a natureza, a religiosidade e especialmente o h\u00e1bito de prosear, talvez o mais antigo da humanidade e que a correria dos tempos modernos faz a maioria das pessoas esquecer. N\u00e3o raro o caipira habita a pr\u00f3pria capital e suas periferias, tangido do campo. Os citados valores \u2013 amor, natureza, religiosidade, tradi\u00e7\u00e3o, festejos populares, etc. \u2013 s\u00e3o lembrados pelo violeiro, cantador e compositor ao longo do CD, porque s\u00e3o nossa raiz, ber\u00e7o imortal de nossa alma que o inconsciente coletivo que molda e forma a cultura brasileira h\u00e1 de fazer permanecer para sempre.&nbsp;<\/p><p><br> <strong>Joel Em\u00eddio<\/strong><br> colunista do blog Ser T\u00e3o Paulistano.<br><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2010, numa apresenta\u00e7\u00e3o, o cantautor Renato Teixeira reclamou da falta de continuidade, entre os jovens, da sua proposta de inserir elementos da chamada m\u00fasica caipira dentro da MPB. Disse que j\u00e1 havia feito a sua parte e esperava novas contribui\u00e7\u00f5es. 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