{"id":553,"date":"2019-12-09T10:50:55","date_gmt":"2019-12-09T13:50:55","guid":{"rendered":"http:\/\/osniribeiro.com.br\/?page_id=553"},"modified":"2019-12-09T11:00:54","modified_gmt":"2019-12-09T14:00:54","slug":"angelino-de-oliveira","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/osniribeiro.com.br\/?page_id=553","title":{"rendered":"Angelino de Oliveira"},"content":{"rendered":"\n<p>23\/10\/2019<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Viva Angelino de Oliveira\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o me recordo com precis\u00e3o a data, mas o ano era 1982\u2026&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Chico M\u00farcia, Reinaldo Piozzi, Jovelino Secco, Sidney Pereira, entre outros amigos do Angelino de Oliveira, preparavam um evento em celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria do compositor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi\u00e3o eu ainda engatinhava art\u00edsticamente e integrava uma dupla caipira \u2013 gosto mesmo de dizer caipira, porque nosso repert\u00f3rio era cl\u00e1ssico, Torres e Flor\u00eancio, Z\u00e9 Carreiro e Carreirinho, Tonico e Tinoco entre outros \u2013 Z\u00e9 Lira e Ribeirinho. O Z\u00e9 era sobrinho do Chico e do Sidney e assim est\u00e1vamos no cerne desse movimento, acompanhando tudo com muita proximidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O vereador Alvaro Picado, em conson\u00e2ncia com o grupo preparava uma lei para instituir oficialmente a homenagem. Uma noite, nos reunimos com o grupo, na casa do Jovelino para conhecer mais sobre a obra do compositor. At\u00e9 ent\u00e3o, sinceramente, eu, como a maioria das pessoas, conhecia apenas Tristeza do Jeca. Isso me fazia pensar no Angelino como um compositor de m\u00fasica caipira \u2013 estilo batizado por ocasi\u00e3o da empreitada do Corn\u00e9lio Pires, que em 1.929 reuniu duplas, conjuntos, m\u00fasicos e cantores do interior do estado e produziu, de maneira independente, uma s\u00e9rie de discos. Foram os primeiros registros fonogr\u00e1ficos daquilo que convencionou-se chamar de m\u00fasica caipira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Voltemos ent\u00e3o para a sala da casa do Jovelino. N\u00e3o me recordo exatamente as pessoas que estavam l\u00e1 naquela noite, se tinha algu\u00e9m da fam\u00edlia do Gast\u00e3o D\u2019alfarra, se estavam l\u00e1 outros m\u00fasicos da cidade, mas me recordo que a dona Terezinha, esposa do Jovelino, ao piano nos apresentou uma expressiva quantidade de m\u00fasicas, todas contidas na colet\u00e2nea que fora organizada pelo Gast\u00e3o em 1.970. As comemora\u00e7\u00f5es estavam para acontecer e eu e o Z\u00e9 escolhemos \u2013 ou fomos escolhidos \u2013 para apresentar Prece e Encruzilhada. Nossa refer\u00eancia na \u00e9poca, foi apenas o toque do piano da dona Terezinha e o cantarolar emocionado dos amigos ali reunidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Prece, ou Prece de Caboclo, \u00e9 um valseado que n\u00e3o tinha nenhum registro fonogr\u00e1fico e que passados 36 anos tive o privil\u00e9gio de gravar no meu \u00e1lbum Arredores \u2013 e Encruzilhada, que hoje pode ser encontrada no Youtube em algumas vers\u00f5es, na voz de diferentes artistas, gravadas ainda nos pioneiros 78rpm e num registro mais contempor\u00e2neo pelo amigo e cantador Cl\u00e1udio Lacerda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que me deixou mais curioso na \u00e9poca, \u00e9 que os conte\u00fados apresentados naquela noite eram bem diferentes do que a gente estava acostumado a chamar de m\u00fasica caipira. A primeira semana comemorativa aconteceu no m\u00eas de junho de 1.982 e precedeu a aprova\u00e7\u00e3o da lei, que em agosto do mesmo ano instituiu oficialmente a Semana Angelino de Oliveira, que compreendia a data que, at\u00e9 ent\u00e3o, era reconhecida como nascimento do compositor, 17 de junho de 1.889.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso \u00e9 uma outra hist\u00f3ria\u2026<\/p>\n\n\n\n<p>30\/10\/2019<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Nasceu Angelino!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas n\u00e3o nasceu naquela serra, ou seja, \u201cnessa\u201d serra aqui de Botucatu. <\/p>\n\n\n\n<p>Angelino nasceu em Itaporanga, tamb\u00e9m interior de S\u00e3o Paulo, quase divisa com o Paran\u00e1. Itaporanga \u00e9 uma palavra ind\u00edgena que significa Pedra Bonita. O nome foi criado em 1.898, quando o ent\u00e3o povoado de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista de Rio Verde, elevado a vila em 1.871, foi elevado a cidade. E na ainda S\u00e3o Jo\u00e3o Batista do Rio Verde nasceu Angelino. <\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o ano de 1.990 quando Marilda Baunguertner Cavalcanti pesquisou e escreveu \u201cAngelino de Oliveira, o inspirado autor de Tristezas do Jeca\u201d era fato corrente que o compositor havia nascido no dia 17 de junho de 1.889. No decorrer das pesquisas, Marilda encontrou o registro batismal do compositor, que data de 16 de maio de 1.888 na Igreja de S\u00e3o Jo\u00e3o Batista, pelo Padre D\u00e9cio Augusto. A data apontada como de seu nascimento \u00e9 21 de abril de 1.888, ou seja, mais de um ano antes das documenta\u00e7\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o conhecidas. N\u00e3o era incomum, naquela \u00e9poca, a diverg\u00eancia de datas, por uma s\u00e9rie de fatores e dificuldades de registros, tranportes e mesmo procedimentos documentais, mas curiosamente, o pr\u00f3prio Angelino jamais desfez esse equ\u00edvoco. Em sua matr\u00edcula na Escola de Farm\u00e1cia e Odontologia de Ribeir\u00e3o Preto, consta a data de 17 de junho de 1.892 e em sua \u00faltima c\u00e9dula de identidade, expedida em 1.958 consta 17 de junho de 1.889. <\/p>\n\n\n\n<p>O livro de Marilda \u00e9 um importante documento, foi publica\u00e7\u00e3o pioneira sobre a vida do Angelino, servindo inclusive de bibliografia para, posteriormente, a edi\u00e7\u00e3o do livro do violeiro Paulo Freire \u201cEu nasci naquela serra\u201d e diversas outras pesquisas sobre o m\u00fasico. <\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, mais um epis\u00f3dio sobre a vida do Angelino de Oliveira foi desvendado pela Marilda e o passar dos anos permitiu construir com mais fidelidade a biografia desse grande e importante personagem da m\u00fasica popular brasileira. Angelino de Oliveira (Itaporanga, 21\/04\/1888 \u2013 S\u00e3o Paulo, 24\/04\/1964)<\/p>\n\n\n\n<p>06\/11\/2019<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Angelino de Oliveira e A M\u00fasica Caipira<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>(texto recuperado de publica\u00e7\u00e3o minha para material de divulga\u00e7\u00e3o da Semana Angelino de Oliveira)<\/p>\n\n\n\n<p>A m\u00fasica caipira, que denominamos tamb\u00e9m m\u00fasica de raiz apareceu no cen\u00e1rio fonogr\u00e1fico brasileiro no final da d\u00e9cada de 20, mais precisamente em 1929, com o registro das primeiras produ\u00e7\u00f5es de Corn\u00e9lio Pires. <\/p>\n\n\n\n<p>Nessa \u00e9poca, o compositor Angelino de Oliveira j\u00e1 possu\u00eda registradas e gravadas diversas de suas composi\u00e7\u00f5es, todas elas sem nenhum v\u00ednculo com o g\u00eanero que se convencionou chamar, na \u00e9poca, de m\u00fasica caipira e atualmente tamb\u00e9m de m\u00fasica de raiz. Dentre sua produ\u00e7\u00e3o musical encontramos valsas, can\u00e7\u00f5es, tangos, sambas, e at\u00e9 foxtrot, ritmos bem diferentes dos caipiras cururus, cateret\u00eas, catiras, lundus e modas de viola, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A etimologia da palavra caipira \u00e9 t\u00e3o controvertida quanto as refer\u00eancias biogr\u00e1ficas e musicais do Mestre Angelino, por\u00e9m, temos a certeza que sua origem \u00e9 ind\u00edgena, derivada do Tupi, e revela o primeiro tra\u00e7o da miscigena\u00e7\u00e3o cultural de nossa regi\u00e3o, a mistura da cultura ind\u00edgena com a cultura portuguesa, que mais tarde absorveria tamb\u00e9m alguns elementos da cultura africana.<\/p>\n\n\n\n<p><br>Em seus registros consta que Angelino nasceu na cidade de Itaporanga em 17 de Junho de 1889, por\u00e9m a pesquisadora Marilda Cavalcanti, encontrou o registro batismal do compositor que teria nascido, na verdade, em 21 de Abril de 1888. Angelino foi comerciante, dentista, escriv\u00e3o de pol\u00edcia e diretor art\u00edstico da PRF-8. Tocou viol\u00e3o, violino, guitarra portuguesa e trombone. Foi m\u00fasico da Banda S\u00e3o Benedito em 1908, da Orquestra do Gr\u00eamio Liter\u00e1rio e Recreativo em 1911, a partir de 1917 formou o duo Violguita (viol\u00e3o e guitarra) com Jos\u00e9 Maria Perez e o trio Viguipi (viol\u00e3o guitarra e piano) com Perez e o pianista Luiz Cardoso. Fundou na d\u00e9cada de 40 a Jazz Band Carlos Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p><br>A mundialmente conhecida Tristezas do Jeca foi gravada pela primeira vez em vers\u00e3o instrumental no ano de 1922 pela Orquestra Brasil-Am\u00e9rica, em 1926 foi regravada por Patr\u00edcio Teixeira, cantor carioca contempor\u00e2neo e amigo de Donga e Pixinguinha. Em 1937 o aclamado Paraguassu, interprete renomado de modinhas e serenatas, endossou a trajet\u00f3ria de sucesso da at\u00e9 ent\u00e3o can\u00e7\u00e3o registrando a obra em sua voz. Paragua\u00e7u j\u00e1 havia gravado m\u00fasicas de Angelino em discos anteriores, Tenho Pena dos Meus Olhos em 1931 e Lua Cheia em 1936, esta no mesmo ano em que gravou Luar do Sert\u00e3o de Catulo da Paix\u00e3o Cearense. A partir da grava\u00e7\u00e3o de Tonico e Tinoco, com estrondoso sucesso, a outrora can\u00e7\u00e3o, rebatizada como toada, al\u00e7ou v\u00f4o para se tornar uma das grandes obras de nosso cancioneiro popular, com grande n\u00famero de regrava\u00e7\u00f5es e releituras.<\/p>\n\n\n\n<p>Um evento que pretende homenagear e preservar a mem\u00f3ria de um grande compositor como Angelino de Oliveira n\u00e3o pode restringir-se \u00e0 difus\u00e3o de algumas poucas composi\u00e7\u00f5es, muitas vezes vinculadas a um movimento musical que n\u00e3o contempla a universalidade de sua produ\u00e7\u00e3o autoral, nem tampouco propiciar a instala\u00e7\u00e3o de uma distor\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica em torno de sua obra e principalmente de sua personalidade. A mem\u00f3ria de um compositor merece o resgate e a releitura de seus trabalhos, a difus\u00e3o de sua hist\u00f3ria e o reconhecimento de seu valor. Merece uma celebra\u00e7\u00e3o com personalidades de trajet\u00f3ria coerente com o perfil de nosso poeta. Merece a for\u00e7a e a beleza de grandes can\u00e7\u00f5es, o talento emergente dos novos compositores e o est\u00edmulo ao cultivo da cria\u00e7\u00e3o musical.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><br>Em 2005 procuramos esse caminho, homenageamos Angelino, apresentamos diversas de suas can\u00e7\u00f5es, algumas muito pouco conhecidas, na interpreta\u00e7\u00e3o de m\u00fasicos de nossa cidade que deram novas cores \u00e0 sua obra. Homenageamos Serrinha e Raul Torres, outros expoentes musicais de Botucatu, e estendemos as homenagens aos criadores de nossa m\u00fasica popular apresentando artistas cujas can\u00e7\u00f5es alcan\u00e7aram tanto ou mais sucesso do que eles pr\u00f3prios, Paulo Sim\u00f5es (Trem do Pantanal e Comitiva Esperan\u00e7a) e Belchior (Como Nossos Pais e Paralelas). \u00c0 partir de 2006 adotamos novo formato levando as comemora\u00e7\u00f5es com car\u00e1ter mais educativo, trabalhando junto \u00e0 escola e \u00e0 comunidade como uma maneira de fortalecer e aprofundar as homenagens ao compositor.<br>_____________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO cultivo de sua mem\u00f3ria ainda n\u00e3o alcan\u00e7ou sua produ\u00e7\u00e3o musical. Poucos botucatuenses conhecem mais de 3 ou 4 m\u00fasicas de Angelino, e foi isto que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o quando, em 1998, comecei a pesquisar sua vida.Talvez por isso, o desconhecimento de sua produ\u00e7\u00e3o musical, criou-se no passar dos anos esse mito de compositor caipira, fato que encontra pouca sintonia com sua obra.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Fernando Binder , m\u00fasico e pesquisador<\/em><br>______________________________________________________________<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEra filho \u00fanico de modestos lavradores. Em 1894, seus pais mudaram-se para Botucatu. Autodidata, aprendeu a tocar v\u00e1rios instrumentos. Realizou curso de dentista pr\u00e1tico em Ribeir\u00e3o Preto. Retornou a Botucatu, onde abriu uma loja de instrumentos musicais. Foi chamado de \u201cO Catulo de Botucatu\u201d, numa alus\u00e3o ao poeta e compositor Catulo da Paix\u00e3o Cearense.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Dicion\u00e1rio Cravo Albin da M\u00fasica Brasileira<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>13\/11\/2019<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tristezas vem da Alma\u2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>100 anos de Tristezas do Jeca!!<\/p>\n\n\n\n<p>A imagina\u00e7\u00e3o viaja\u2026&nbsp; O local era o Clube 24 de Maio. Presidindo a mesa da sess\u00e3o solene o dr. Nestor Seabra. Angelino de Oliveira e o professor Jos\u00e9 A. Wagner acompanham o canto das normalistas Maria Banducci e Am\u00e9lia Gouveia. Ao final da apresenta\u00e7\u00e3o, segundo relato que encontramos registrado pela primeira vez no livro da Marilda Baunguertner Cavalcanti&nbsp; \u201cAngelino de Oliveira, o inspirado autor de Tristezas do Jeca\u201d, a plat\u00e9ia efusiva conclama bis por seis vezes consecutivas. Assim nasceu, aos ouvidos do p\u00fablico, a can\u00e7\u00e3o Tristezas do Jeca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O livro relata esse epis\u00f3dio como parte da posse do dr. Nestor Seabra na presid\u00eancia do referido clube, supostamente em 24 de maio de 1.918. O violeiro Paulo Freire corrobora a informa\u00e7\u00e3o no seu livro \u201cEu Nasci Naquela Serra\u201d. At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, comumente eu citava o acontecido, em entrevistas, rodas de conversas, prosas entre amigos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ano passado, a convite da Cris Cury, secret\u00e1ria de cultura, integrei uma comiss\u00e3o para prepararmos a tradicional Semana Angelino e a comemora\u00e7\u00e3o pelo centen\u00e1rio desse cl\u00e1ssico da m\u00fasica brasileira. Durante o processo de produ\u00e7\u00e3o, pequisando poss\u00edveis novas perspectivas, me deparei com um relato que divergia da data de 1.918 como ocorr\u00eancia da primeira apresenta\u00e7\u00e3o da m\u00fasica. Com a pulga atr\u00e1s da orelha, e uma boa dose de curiosidade, resolvi apurar os fatos com mais cuidado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Grande parte da mem\u00f3ria de Botucatu est\u00e1 guardada no Centro Cultural e foi l\u00e1 que busquei rastros da verdadeira hist\u00f3ria, encontrando-a nas atas do 24 de Maio e nos jornais da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Convic\u00e7\u00f5es, contradi\u00e7\u00f5es e revela\u00e7\u00f5es\u2026<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>No livro da Marilda, informa\u00e7\u00e3o possivelmente obtida de maneira oral, consta que a m\u00fasica teria sido apresentada na posse do dr. Nestor Seabra como presidente do clube, por\u00e9m, tanto nas atas quanto nos jornais o presidente empossado em 1.918 foi o dr. M\u00e1rio Rodrigues Torres. Essa \u00e9 a primeira contradi\u00e7\u00e3o que corrobora com a d\u00favida apresentada no blog do jornalista Renato Fernandes.<\/li><li>O dr. Nestor Seabra tomou posse como presidente do clube no ano de 1.919, o que refor\u00e7a a convic\u00e7\u00e3o de que o ano de 1.918 foi equivocadamente reconhecido como o ano da primeira apresenta\u00e7\u00e3o da Tristezas do Jeca.<\/li><li>Na data de 24 de maio, aventada por muitos como a data dessa primeira apresenta\u00e7\u00e3o, que poderia ter ocorrido em 1.919 quando da posse do dr. Nestor tamb\u00e9m n\u00e3o encontramos nem nas atas e nem na imprensa nenhuma cita\u00e7\u00e3o&nbsp; referente ao fato.<\/li><li>Finalmente, nos jornais, encontramos algo pr\u00f3ximo do epis\u00f3dio citado no livro da Marilda e posteriormente replicado por outros. No Clube 24 de maio, em 15 de novembro de 1.919, celebrando \u00e0 Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em evento organizado pela Comiss\u00e3o Regional de Escoteiros foi composta mesa presidida pelo dr. Nestor Seabra. Na programa\u00e7\u00e3o musical o professor Jos\u00e9 A. Wagner e Angelino de Oliveira, acompanharam as c\u00e9lebres normalistas em n\u00famero musical.<\/li><li>O que cabe como revela\u00e7\u00e3o e complementa esses relatos \u00e9 que a m\u00fasica apresentada, identificada como letra e m\u00fasica do Angelino, intitulava-se \u201cAlma do J\u00e9ca\u201d.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Nunca ouvi falar de uma possivel \u201cAlma do J\u00e9ca\u201d, ainda mais apresentada em condi\u00e7\u00f5es quase id\u00eanticas aos relatos sobre a primeira apresenta\u00e7\u00e3o da Tristezas do Jeca, o que pressup\u00f5e que sua primeira denomina\u00e7\u00e3o \u00e9 a encontrada nos documentos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Temos assim, uma nova perspecticva sobre o epis\u00f3dio, corroborada pela imprensa e por documentos do Clube 24 de maio, que aponta a data correta para celebrarmos o centen\u00e1rio da Tristezas do Jeca como 15 de novembro de 2.019, ainda que as Tristezas tenham originalmente nascido da Alma.<\/p>\n\n\n\n<p>20\/11\/2019<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Uma can\u00e7\u00e3o em liberdade!!<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, nessa coluna semanal \u2013 que ainda n\u00e3o foi devidamente \u2013 batizada, seguimos falando de Angelino de Oliveira, esse compositor t\u00e3o querido pela cidade de Botucatu e que tem ainda muitas faces musicais a serem reveladas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Voltemos ao caderninho de letras, organizado pelo Gast\u00e3o D\u2019alfarra na d\u00e9cada de 70. O Gast\u00e3o foi amigo insepar\u00e1vel do Angelino. Tocava viol\u00e3o e era extremamente perform\u00e1tico quando apresentava-se ilustrando momentos culturais ou mesmo em roda de amigos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Parte de mem\u00f3ria musical do Angelino estava contida ali, naquela publica\u00e7\u00e3o simples, em preto e branco, com uma ilustra\u00e7\u00e3o do prof. Hugo Pires reproduzindo a cl\u00e1ssica, e uma das poucas, foto do Angelino com o viol\u00e3o nos bra\u00e7os.<\/p>\n\n\n\n<p>Do carinhoso caderninho, salvo me falhe a mem\u00f3ria, aprendi as melodias de Encruzilhada, Manh\u00e3s de Minha Terra, Saudades de Botucatu, Flor de S\u00e3o Jo\u00e3o, Prece de Caboclo, Sabi\u00e1 e Cabocla do Set\u00e3o ainda no come\u00e7o da d\u00e9cada de 80. Na mesma publica\u00e7\u00e3o pude conhecer, na \u00edntegra, a letra da Tristezas do Jeca, que na maioria de suas grava\u00e7\u00f5es teve suprimida uma de suas quatro estr\u00f3fes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, de muitas outras letras contidas no mesmo n\u00e3o me lembro de ter tido indica\u00e7\u00e3o ou refer\u00eancia sobre melodia e harmonia, se \u00e9 que todas tinham sido musicadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Integrante desse acervo, uma pe\u00e7a intitulava-se \u201cCativeiro\u201d, e a letra apontava resqu\u00edcios do per\u00edodo da escravid\u00e3o, mazelas sociais e relatos da desumanidade&nbsp; que se alastra no preconceito.<\/p>\n\n\n\n<p>Tive contato com a melodia, adormecida na pauta, transcrita pelo Fernando Binder em trabalho de pesquisa por volta do ano 2.000. Ao amigo Daniel dos Santos, uns dez anos depois, solicitei, se poss\u00edvel, que despertasse e melodia e trouxesse vida \u00e0s suas notas musicais, pequenos milagres da tecnologia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Guardei a melodia durante outros quase dez anos e viol\u00e3o em punho, encontrei harmonias que sustentassem o conjunto.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, 20 de novembro, dia da Consci\u00eancia Negra, me arrisco ao viol\u00e3o, a libertar essa can\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CATIVEIRO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3e Maria t\u00e1 doente, t\u00e3o chamando o seo dot\u00f4<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3e Maria dormiu muito, foi por isso que apanhou<\/p>\n\n\n\n<p>Nego V\u00e9io t\u00e1 doente, morreu s\u00f3 de judia\u00e7\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>M\u00e3e Maria agonizando t\u00e1 chamando o Pai Jo\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p>Vai te embora, \u00f3 cativeiro<\/p>\n\n\n\n<p>Tu n\u00e3o deixas uma saudade<\/p>\n\n\n\n<p>Nego V\u00e9io est\u00e1 doente<\/p>\n\n\n\n<p>Quer descanso e liberdade<\/p>\n\n\n\n<p><br>conhe\u00e7a a can\u00e7\u00e3o:&nbsp;<a href=\"https:\/\/youtu.be\/ekinKFWqdmQ\">Cativeiro<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>23\/10\/2019 Viva Angelino de Oliveira\u2026 N\u00e3o me recordo com precis\u00e3o a data, mas o ano era 1982\u2026&nbsp; Chico M\u00farcia, Reinaldo Piozzi, Jovelino Secco, Sidney Pereira, entre outros amigos do Angelino de Oliveira, preparavam um evento em celebra\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria do compositor.&nbsp; Na ocasi\u00e3o eu ainda engatinhava art\u00edsticamente e integrava uma dupla caipira \u2013 gosto mesmo<\/p><\/div>\n<div class=\"blog-btn\"><a href=\"https:\/\/osniribeiro.com.br\/?page_id=553\" class=\"home-blog-btn\">Ler mais<\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"template\/template-page-full-width.php","meta":{"footnotes":""},"class_list":["post-553","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/osniribeiro.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/553","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/osniribeiro.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/osniribeiro.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/osniribeiro.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/osniribeiro.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=553"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/osniribeiro.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/553\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":565,"href":"https:\/\/osniribeiro.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/pages\/553\/revisions\/565"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/osniribeiro.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=553"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}